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Gestão financeira

Formação de preço de venda: o custo que a rotina financeira precisa entregar

Formação de preço de venda começa pelo custo, e custo vem da rotina financeira. Veja o que precisa estar fechado antes de calcular preço e margem.

BPO financeiro na Aliança
Escrito por Equipe Editorial AliançaRevisão: Edmilson Dias da Silveira, Técnico em Contabilidade, CRC MS-010213/O-6
· 5 min de leituraWhatsAppLinkedIn

A formação de preço de venda parte de três números: o custo variável de cada venda, o custo fixo do período e o imposto do regime. Sem conciliação bancária feita e contas classificadas, os três saem errados, e o preço calculado sobre eles também sai.

Preço não começa no preço

A pergunta chega pronta: por quanto eu devo vender? A resposta depende de três números, e nenhum deles está na tabela do concorrente.

O primeiro é o custo variável, o que só existe quando a venda acontece: matéria-prima, comissão, embalagem, frete. O segundo é o custo fixo do período, que corre mesmo em mês sem venda: aluguel, folha, software, contador. O terceiro é o imposto, que muda conforme o regime.

Quem pula essa parte acaba usando o preço do mercado como referência e descobre a margem só no fim do ano. Uma prestadora em Curitiba pode estar vendendo acima da concorrência e ainda assim perdendo dinheiro, se o custo fixo dela for maior do que ela imagina.

O número que falta quase sempre é o custo fixo

Custo variável costuma ser conhecido: está na nota de compra e no contrato de comissão. O custo fixo é o que escapa, porque ele se espalha em dezenas de lançamentos pequenos ao longo do mês.

É aqui que a rotina financeira decide a qualidade do preço. Enquanto a conciliação bancária não é feita, existe despesa paga que não entrou em lugar nenhum. Enquanto as contas não são classificadas, o total até fecha, mas ninguém sabe quanto é estrutura e quanto é venda.

Um escritório em Pinhais que roda com conta bancária e caixa misturados vai ter dois custos fixos diferentes dependendo de quem faz a conta. Isso não é problema de planilha: é problema de rotina.

Entrada do cálculoDe onde ela vemO que a corrompe
Custo variável por vendaNota de compra, contrato de comissão, tabela de freteCompra lançada sem rateio e devolução não registrada
Custo fixo do períodoContas a pagar classificadas e conciliadasDespesa paga fora do sistema e conta sem classificação
Imposto sobre a vendaRegime tributário e apuração do mêsReceita classificada no serviço errado
Volume esperadoHistórico de vendas fechadoMês aberto, com nota pendente de emissão
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O imposto entra na conta, e ele muda com o regime

No Simples Nacional, o recolhimento é unificado no DAS, pela tabela do anexo da atividade, conforme a Lei Complementar 123/2006. A alíquota efetiva sobe com o faturamento acumulado, então o imposto do preço de janeiro não é o mesmo de novembro.

Fora do Simples, a conta se abre. No serviço, o ISS fica entre 2% e 5%: a Lei Complementar 116/2003 fixa a alíquota máxima de 5% no art. 8º, II, e a mínima de 2% no art. 8º-A, incluído pela Lei Complementar 157/2016. O percentual exato é o do município, e uma empresa com sede em Curitiba e obra em Araucária pode recolher em alíquotas diferentes.

No regime não cumulativo, entram ainda o PIS de 1,65%, pelo art. 2º da Lei 10.637/2002, e a Cofins de 7,6%, pelo art. 2º da Lei 10.833/2003, com os créditos que a lei permite abater.

Atenção:

Imposto não é um percentual fixo que se soma no fim da conta. Ele incide sobre a venda, então entra no cálculo do preço, e não depois dele. Quem soma o imposto por cima do preço já fechado descobre no fechamento que a margem prevista não apareceu.

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Margem de contribuição, e por que ela vem antes do lucro

Com os três números na mesa, a conta fica simples de enunciar. De cada venda, tire o custo variável e o imposto: o que sobra é a margem de contribuição.

Essa sobra não é lucro. Ela é o que paga o custo fixo do mês. Só depois que o custo fixo inteiro está coberto é que a empresa começa a lucrar, e é por isso que volume e preço precisam ser decididos juntos.

O erro mais comum não é errar a margem: é não saber o volume. Uma indústria em São José dos Pinhais que calcula preço para mil peças por mês e vende seiscentas não tem problema de preço, tem problema de premissa.

Daí sai o ponto de equilíbrio, que é a pergunta que todo sócio já fez de outro jeito: quanto eu preciso vender para não ter prejuízo? Divida o custo fixo do período pela margem de contribuição de cada venda. O resultado é o número de vendas que paga a estrutura. Abaixo dele, a empresa opera no vermelho mesmo com o preço "certo".

Esse mesmo cálculo responde a pergunta do desconto. Quando o vendedor pede dez por cento de desconto, ele não está tirando dez por cento do lucro: está tirando dez por cento do preço, e o que encolhe é a margem de contribuição inteira. Com margem apertada, um desconto pequeno derruba boa parte da sobra que pagaria o custo fixo.

Quando o preço precisa ser revisto

Preço não é decisão anual. Ele muda quando muda uma das três entradas, e as três mudam em ritmos diferentes.

O custo variável muda na nota do fornecedor, e aparece rápido. O custo fixo muda em degraus: contratação, aluguel novo, troca de sistema. O imposto muda com o regime, com a faixa de faturamento no Simples e com a alíquota do município onde o serviço é prestado.

A prática que funciona é simples: amarre a revisão ao fechamento. Com o mês fechado, as três entradas estão prontas, e a conversa sobre preço acontece com número em vez de impressão.

  • Conciliação bancária do mês fechada antes de qualquer cálculo de preço
  • Despesas classificadas entre custo variável, custo fixo e investimento
  • Receita separada por serviço ou linha de produto, não em uma conta só
  • Alíquota efetiva do mês apurada, e não a alíquota de tabela
  • Volume usado na conta tirado do histórico, não da expectativa
  • Preço revisto quando qualquer uma das três entradas mudar

O que a rotina financeira precisa entregar

Formar preço uma vez é exercício de planilha. Formar preço todo mês é consequência de rotina.

A rotina que sustenta isso tem poucas peças: contas a pagar e a receber em dia, conciliação bancária fechada, classificação consistente e um relatório que separe custo fixo de custo variável. Com isso pronto, o cálculo do preço deixa de ser projeto e vira conferência.

Quando a empresa tem mais de uma unidade, isso pesa mais. Uma operação com matriz em Curitiba e filial em Campo Grande precisa saber o custo fixo de cada uma, porque aluguel, folha e ISS municipal não são iguais, e um preço único para as duas esconde a diferença.

Dica Aliança:

Antes de mexer no preço, feche um mês inteiro com a classificação revisada e compare o custo fixo apurado com o que você imaginava. A diferença entre os dois números costuma explicar a margem que não aparecia no caixa.

BPO financeiro na Aliança Assessoria Contábil: veja como funciona

Na Aliança, o BPO financeiro existe para entregar esses números fechados no mesmo ritmo todo mês, de modo que a decisão de preço tenha base. O detalhe da rotina está na página de BPO financeiro, e a parte de carga tributária, que é a terceira entrada do cálculo, está em como escolher o regime tributário.

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Conteúdo informativo, produzido pela equipe da Aliança Assessoria Contábil sob responsabilidade técnica de Edmilson Dias da Silveira (Técnico em Contabilidade, CRC MS-010213/O-6). Não substitui a análise do caso concreto pelo contador responsável. Normas citadas conferidas na fonte oficial na data de atualização.

Perguntas frequentes

Por onde começa a formação de preço de venda?

Pelo custo variável de cada venda, que é o que só existe quando a venda acontece. Depois vem o custo fixo do período e o imposto do regime. Preço calculado sem esses três números é estimativa, não cálculo.

Markup e margem de contribuição são a mesma coisa?

Não. O markup é o multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço. A margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois dos custos variáveis e dos impostos, e é ela que paga o custo fixo.

Quanto de imposto entra na conta do preço?

Depende do regime. No Simples Nacional o recolhimento é unificado no DAS, pela tabela do anexo da atividade. Fora dele, o serviço tem ISS entre 2% e 5%, pela Lei Complementar 116/2003, e no regime não cumulativo há PIS de 1,65% e Cofins de 7,6%.

Dá para formar preço sem a contabilidade fechada?

Dá para estimar, não para calcular. Sem conciliação bancária e sem despesas classificadas, o custo fixo do período fica incompleto, e todo preço calculado sobre ele herda o erro.

De quanto em quanto tempo o preço precisa ser revisto?

Sempre que muda uma das três entradas: custo variável, custo fixo ou carga tributária. Na prática, isso costuma coincidir com o fechamento mensal, que é quando os três números ficam prontos.

Margem de contribuiçãoCustos fixosPrecificação

Escrito por Equipe Editorial Aliança

Equipe de conteúdo da Aliança Assessoria Contábil, escritório CRC PR-011581/O-7

Edmilson Dias da Silveira é sócio-administrador e responsável técnico da Aliança Assessoria Contábil. Conheça o escritório.

Revisado por Edmilson Dias da Silveira, Técnico em Contabilidade, CRC MS-010213/O-6, em · Apoio de IA · Revisão humana

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